Tudo brota do beijo
É, simplesmente, incidência de gestos, de olhares, de afinidades, intimidades... Tudo isso já antecipa, é bem verdade, toda a acuidade do encontro de lábios, de línguas e saliva. Esse percurso que apraz é descrito pelo idioma do amor, da imensurável sentimentalidade. O verdadeiro beijo desperta muito mais do que um beijo qualquer. São línguas que se comunicam no silêncio no modo empírico daqueles laços e nós dados. Do amor também nasce essa estreiteza no peito chamada saudade, que insiste em querer regressar aos momentos de profundos delírios e intensos ais quiméricos. O beijo proporciona o encontro de bocas desconhecidas que se sentem inquietas diante do incompleto, penalidade esta aplicada por Zeus aos Andróginos que persistiam com a sua auto-suficiência. O beijo nada mais é do que o despertador da erupção do vulcão chamado amor, que teima em alastrar as suas larvas por todos os caminhos e descaminhos de cada um de nós.
Heracton Sandes Amparo
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