Ela esqueceu o par de brincos no balcão do barzinho, e aí fiquei imaginando: O que mais ela tinha esquecido? Não naquele bar, mas nos outros que certamente havia freqüentado, naquele dia, naquela semana, naquele ano. A moça era bonita, já havia a visto algumas vezes, mas nunca falado com ela! Não era uma alcoólatra, tinha seus dias de ausência também, mas como toda mulher bonita e bem informada, gostava de sair! Havia quem a cortejava, quem a cantava, e eu, um mero espectador daquela novela. Um mero espectador! Certamente era, e certamente ela ia voltar. Como todo espectador de uma boa novela, eu queria fazer parte dela, e foi aí que o diretor chamado: “Destino”, me colocou naquela história louca, e de um mero espectador, passei a ser o coadjuvante mais dedicado. Quis o diretor, que o par de brincos viesse parar em minhas mãos, mas como poderia entregá-la se mal sabia seu nome? Fui à caça de informações. Na minha caça, pude conhecer a pessoa que certamente me ajudaria: era o garçom do barzinho. De cara já o mostrei o par de brincos, e sem demora ele me disse que sua dona chamava-se Abella. – Abella? – É! Abella. Disse o garçom. Um nome estranho, e um objeto perfumado... É! Pus-me a cheirá-los, não resistir. Agora, minha vontade de conhecê-la era maior. O garçom quis guardá-los para entregá-la ele mesmo! Eu disse não! Se estava naquela dança, eu queria dançar. Esperei ali, uma, duas, três horas, e a moça voltou! Ela veio diretamente ao balcão do bar, eu percebi que era ela, assim que entrou. Antes que Abella falasse alguma coisa, eu me adiantei... Apresentei-me, e disse a ela que havia achado seu par de brincos. Tinha voltado justamente por isso, me disse que tinha o esquecido na mesa do bar. Pude ver como ficou contente. Abella foi de uma educação encantadora, eu devolvi seu par de brincos, ela me agradeceu. Brinquei... Disse: - Até o próximo par de brincos esquecidos. Ela sorriu, e foi embora! Fim do primeiro capítulo.
Leonam Sandes
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