segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Poema

Apito

Penso em apitar
mesmo longe dos ouvidos
que quero alcançar. 
Para mim
quero que o vento leve muito mais que 
o som solto, e sobra o vazio... E
quando novamente estiver cheio
apitarei outra vez
bem lá no fundo
para que seja sentido.

Leonam Sandes

domingo, 2 de dezembro de 2012

Fragmentos

(Sem título - apenas sentido)

Lua acesa,
Lua bela,
Lua e venta
lá fora.

Leonam Carvalho Sandes

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Poema


Recorte

Quero o recorte dos lábios
no momento exato que ela rir,
quero um recorte da lua de ontem,
nem tão cheia e nem tão vazia.
O tic-tac do relógio na parede embala minhas
memórias e minhas ideias.
E eu, quero um recorte, uma cor,
te em fim.

- Leonam Sandes

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Poema



Noite

Houve um corte no dia,
e no céu a noite inicia a costura.

Alguém se sente coberto?
O cobertor é tecido, sonhado.

E a doce escuridão, essa pequena cria
lambida, cresce!


Leonam Carvalho Sandes

sábado, 29 de setembro de 2012

Poema


Devo ter

Devo ter algo
Das nuvens frias e escuras agora.
Devo ter a luz
e o calor de outros dias,
de tudo que me parece quente,
intenso em cada face.

Segue o desabrochar do dia que demora,
e lá fora tudo é mais quieto aqui pra dentro,
aqui pra nós, aqui pra mim.
Não tem calor agora!
Mas devo ter algo.
Assim, quando o vento passar,
quem sabe ele leve algo,

algo que devo ter 
agora.

Leonam Sandes



domingo, 5 de agosto de 2012

Poema




Luz e Chuva

Cai chuva, e logo ali esfria
peito,
colo,
braços,
e coração só.

Luz!
por minutos,
modela o que foi
pó.


Leonam Sandes

domingo, 8 de julho de 2012

Frases

"É sabido que quanto mais
pessoal (repito, não digo
individual) é a sensibilidade do
artista, a sua obra torna-se mais
universal e coletiva."

César Vallejo

Poema





Balanço

Cresci neste vai e vem.
Fui no alto, no baixo,
e hoje o vento bate nos meus cabelos, 
e volto: ao mais próximo do céu,
e o mais  perto do chão...

Essa doce aventura
que me acompanha, é um afago gostoso
à minhas lembranças.


LEONAM SANDES

sexta-feira, 29 de junho de 2012


Silêncio pra ouvir olhar

Silêncio pra ouvir olhar... Aqueles de canto,
ou aqueles surpresos depois de algo
dito.

 Aqueles... Os primeiros,
ou os últimos.

Silêncio pra ouvir olhar...
Ouvir o que boca não diz,
pedir 
o que ela não pede.

Leonam Sandes

Frase



"Procure entrar em si mesmo. Investigue o
 motivo que o manda escrever; examine se
 estende suas raízes pelos recantos mais
 profundos de sua alma; confesse a si mesmo:
 morreria, se lhe fosse vetado escrever? 
Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais
 tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a 
escrever? "Escave dentro de si uma resposta 
profunda. Se for afirmativa, se puder contestar
 àquela pergunta severa por um forte e simples
 "sou", então construa a sua vida de acordo com
 esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais 
indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o
 testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da
 natureza. Depois procure, como se fosse o
 primeiro homem, a dizer o que vê, vive, ama e
 perde. (...) "


Rainer Maria Rilke


domingo, 17 de junho de 2012

Poema


Do alto, na cidade

Do alto vejo a cidade,
é noite,
não tem lua, nem estrelas nuas...

No alto sinto frio,
mas a cidade, mesmo depois do sol
posto, não esfria.

Tão quente nos braços,
nos beijos,
nos olhos.

Leonam Sandes






                                       do céu

                                                       Fragmentos do céu
                                                 respingam em mim,
                                                            sonhos infinitos.


                                                          Leonam Sandes


quinta-feira, 14 de junho de 2012

                 "O poema é feito de palavras necessárias e insubstituíveis"

Octavio Paz

sábado, 2 de junho de 2012

Poema


Eu na estrada

Eu na estrada,
pensamento no mundo.
Eu na estrada,
olhares distantes, vagos...
Eu na estrada,
e coração além da placa
que diz: Use os freios.

Leonam Sandes

sábado, 19 de maio de 2012

Poemas



Para onde ir?


Se disser, não saberei se vou...
E se souber,
tentarei não pensar na distância.

Extremidades
são cheias e vazias.

LEONAM SANDES

sexta-feira, 18 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Liberdade a fora

Tenho a pista livre,
deixo a distância a cada
passo,

no coração trago saudades,
nos olhos imagens,
e do céu recebo chuva
pra alimentar a alma,
e seguir...

LEONAM SANDES

sábado, 7 de abril de 2012

Nas margens de mim
admiro coisas simples por que
é preciso.

Leonam Sandes
Nas margens de mim,
abro a porta e te convido pra beber
algo.

Leonam Sandes

Nas margens de mim
enceno meus passos por aí, e minha
plateia é seus olhos.

Leonam Sandes
Nas margens de mim
guio-te por entre os caminhos
em que vivo.

Leonam Sandes
Nas margens de mim
invento meu instrumento, e toco o que
sonha tua alma.

Leonam Sandes

Nas margens de mim
gotejo meus versos como o céu...
Buscando olhos, mentes
e ouvidos.

Leonam Sandes

Metade



Resta-me apenas partir!
Fazer de verdade
a minha e a tua
metade.

E que a metade
seja o suficiente pra
partir.

E que
seja o tanto certo pra
ficar.

E que a metade
esteja onde necessita
estar.

                   Leonam Sandes

sábado, 31 de março de 2012

Entre um olhar e outro

Por aí a fora,
por acolá adentro,
tudo que se rabisca entre
um olhar e outro
é muito mais intenso nas suas
entrelinhas.

E da porta
da alma pra fora
tudo são fragmentos...

Até que os retalhos
sejam costurados, os cacos
colados,
ou que tudo seja jogado
fora,

e um novo rabisco seja traçado,
entre um olhar
e outro.

                        Leonam Sandes

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Poema

Vontade

Eu quero voar,
pular
até o chão dizer chega!
Dar um pouco de
emoção a minha alma,
beber onde bebe a loucura,
dar um beijo intenso
na vida.

LEONAM SANDES

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Processo de Mudança

              
       Amanheceu nossa terça-feira, enquanto penso em o que escrever a vida lá fora passa, a dor passa a Uva-passa, a professora de Português ao ver minhas notas deve estar pensando: ele passa. Bom, poderia direcionar meu pequeno texto, a mais um aniversário de uma velha senhora, bota velha nisso, 114 anos neste 25 de outubro de 2011, a nossa terça-feira como já falei. Mas a esta senhora apenas desejo, desejo que seus filhos cuidem bem da sua saúde, e que não a abandone, jogando-a em um asílo, afinal, ela não merece, sempre foi tão calorosa, eu por exemplo, já suei litros ao passar tardes com essa simpática senhora. Mas não reclamo agredeço por ter me acolhido senhora sol. Mas onde estou? Ah! Estou no meu espaço de quatro paredes, e não... Não estou suando litros, estaria suando suór se a velhinha não estivesse tão fria, e também, ela está tão ocupada com tantas homenagems. Continuando, meu espaço de quatro paredes está aconchegante, de tão perfeccionista que sou, acabei me agradando com o que fiz, e olha que sou chato quanto a isso, acho que a  necessidade de mudar está me fazendo bem, você deve estar entendendo o que estou pensando, afinal, você desde que começou a ler já mudou de linha, de parágrafo e até o final vai mudar várias vezes nem que seja de uma palavra pra outra. Voltando ao meu processo de mudança, estou fazendo uma lavagem, é uma lavagem, na mente, no coração... Ai, ai, ai, na minha lavagem já tomei alguns escorregões, totalmente compreensíveis, certo caro leitor? Afinal estou sujeito a erros, assim como você e como qualquer outra pessoa. Eu fico pensando: Um automóvel passa na minha rua, já olhei pros quatro cantos do meu espaço de quatro paredes, sons, luzes, uma fantasia real. Sei o que deve estar acontecendo comigo, estou sobe o efeito da arte cênica, você deve estar se perguntando: o que tem a ver uma coisa com a outra? Explico: Desde que comecei a fazer teatro, tudo que vejo ouço e sinto é uma ideia cênica, mas não confundo vida real com o maravihoso mundo do teatro, é que as vezes fico com aquele pensamento na cabeça: “ A arte imita a vida, e a vida imita a arte”. O que espero disso tudo, é que possa ser um grande ator, se não for, quero me divertir do mesmo jeito, estou com muitas ideias pro meu processo de mudança, e se você precisar mudar, mude! Faça uma lavagem, mas não mude tudo ,salve as coisas boas que você viveu, e está vivendo. Faça como eu, e se precisar de um abraço caloroso, a velhinha que promete ainda viver muito, está de braços abertos pra te acolher. Falando nisso, ela não esquece de mim, estou começando a transpirar, acho que ela está me abraçando... Bom, a terça ainda não acabou, e a velhinha ainda ando muito calorosa, então acho melhor me preparar, vou pegar uma tolha, ums litros e assim termino minha crônica.

                                         Leonam Sandes

Meu eterno ser

Em meu eterno ser,
mergulharei profundo, e sonharei
com a alma ao vento
do amanhecer.


                  Leonam Sandes

domingo, 29 de janeiro de 2012

A linha da vida


Templo de sonhos
perfeitos, e imperfeitos.
Doce enigma que temos que
decifrar.

A linha da vida
Caminho de sentimentos,
Fixação do tempo, que um dia
passará.

03/03/2008 – 15h10min


                        Leonam Sandes

sábado, 21 de janeiro de 2012

Presença


A brecha da porta 
anuncia tua presença antes mesmo 
de tocá-la. 
Teu perfume exala,
antes mesmo de balançar os cabelos.
Teu desejo se sente, 
antes mesmo de bebê-lo 
por inteiro.

Leonam Sandes

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alimento dos olhos


Saboreio as nuvens com
o olhar,
assim como um algodão-doce
na boca.

             Leonam Sandes

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Falta



Aos poucos, como uma leve brisa que abraça o corpo por inteiro e suga as forças deixando o vazio, assim é a falta. Aos bocados e intensa, como a pior tempestade das horas, do dia, dos anos, assim é a falta. Em poucas doses faz bem, diria até que necessária é! Mas de dose em dose tudo fica cheio, transborda, incomoda. Quadro sem foto na parede: retrato intrigante, assim ela é.

                                                                                    Leonam Sandes

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Papel de Embrulho

                
                 Coloque-se em meu lugar! Não sou o autor fazendo esse pedido, sou o próprio papel de embrulho que achou um espaço nas palavras de um amigo, para lhe pedir: coloque-se em meu lugar! Não quero torturar sua mente, ou fazer desse pedido um momento de terror, sei que falando assim pareço gente, mas não sou, nem mesmo carente estou. Se ousar sair dessa inércia, levante pelo menos um colchão, ultimamente lá é minha casa e também dos meus irmãos. Muitos da minha família já foram pro lixo ser reciclado há muito tempo, mas não ligo se a saudade apertar demais sei que um dia será a minha vez. Novamente peço: coloque-se em meu lugar! Sei que não será difícil, afinal, muitos são como eu: meras embalagens bonitinhas. O que quero com esse pedido, é que vejam como minha vida é triste, não quero que tenham pena de mim, tenham pena de vocês, que muitas vezes se colocam como um papel de embrulho, sem se importar com o conteúdo que é o mais importante. Eu posso ser azul bonitinho, vermelho com laçinho, ganhar até elogios, mas nunca serei tão importante quanto o presente que escondo. Ainda peço que se coloque em meu lugar, porque quero que entendam que não vale ser apenas uma embalagem bonitinha, se não houver alguma coisa especial por dentro. Ninguém gostaria de me ganhar como presente seria uma decepção e tanto, ver que ganhou um papel de embrulho sem nada. Coloque-se em meu lugar! Mas quero que saiba que papel de embrulho sem conteúdo, acaba embaixo de um colchão ou no lixo.


                                                                                 Leonam Sandes

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bateu em minha porta, uma moça...

                   
                    Hoje bateu em minha porta uma daquelas mulheres que vendem planos de operadoras, minha primeira impressão foi normal, ou pelo menos não foi diferente do que eu sempre havia pensado. Sempre achei que parar pra ouvir aquelas conversas de todos os benefícios e vantagens que uma operadora oferecia era pura perda de tempo, mesmo que algumas vezes fosse realmente vantajoso. Sei que toda aquela conversa era o trabalho das moças, completamente compreensível e aceitável, mas quando você está totalmente ocupado e ainda vem uma daquelas corajosas e pacientes donzelas tentando convencê-lo, você fica impaciente desejando que tudo aquilo acabasse, e você enfim, voltasse a fazer o que estava fazendo. Eu poderia ter ficado impaciente, e desejado que aquela conversa acabasse, ou ter dito um “não” logo de uma vez, (com educação, claro!), mas antes que eu esboçasse qualquer reação para recuar sua proposta, a moça que por sinal era muito linda, me abriu um belo sorriso e ela desarmou minhas armas; ouvi cada palavra pronunciada por ela, um tanto atenciosamente. A moça tinha lá seus vinte e cinco anos, claro, ela não me disse sua idade, é apenas um chute de quem admirava aquele sorriso como se admirasse um diamante sobre as mãos, era realmente encantador. Passou pela minha cabeça que ela estava no emprego errado, deveria vender sorrisos, fazer planos para alegra os olhos alheios, ou pelo menos uma coisa mais interessante que explorasse aquele presente de Deus. Há quem diga que é puro marketing, o que não deixa de ser totalmente normal, mas quem vai pensar em marketing sendo presenteado por um belo sorriso como aquele? Eu não pensei, deixei o lado admirador se sobressair mais que o lado crítico e não foi nenhum sacrifício. Vão pensar que fiquei apaixonado, que foi amor à primeira vista, mas não foi nada disso caro leitor, o que aconteceu mesmo, foi que aquele momento de simpatia me deixou relaxado, e deu-me muito mais coragem e vontade para continuar os meus afazeres, fora o prazer que foi de ver o belo sorriso da moça. Mesmo com toda aquela beleza que ela me proporcionava, eu recusei a proposta que a moça me fizera! Por fora seu sorriso não se desmanchou, por dentro, não sei... Espere qualquer coisa, ao baterem em sua porta, e claro! Seja gentil.

                                                                                Leonam Sandes

Olhares Perdidos

Olhares perdidos, não ficam
perdidos por muito tempo. Acham-se,
encaixam-se, encantam-se...


                                   Leonam Sandes

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ponto Final


             Tão curto, tão seco, e tão decisivo! Onde será colocado, não importa. Não vejo, não vê, não vêem! O ponto final é grosseiro, e tão necessário que assusta. O ponto final, quem diria, é o começo de tudo! Só se aprende colocando-o. Equivocamo-nos ao colocá-lo? Claro! Acertamos ao colocá-lo? Claro! É um jogo de acertos e erros, que só o tempo irá dizer se foi certo ou errado usá-lo. Se for necessário, coloque-o! Se não for, não o faça! Releia toda a história, e então decida.

                                                                                              Leonam Sandes

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Dançar no silêncio

               Vou te convidar pra dançar no silêncio. Não precisamos tirar o pé do chão, ou fazer tudo em ritmo frenético! A lentidão dos nossos movimentos é o que basta. Sem pressa, sem ritmo ou regra definido, e claro! Sem multidão... Dois corpos é o suficiente. Teus pés sobre o meu, evidência uma coisa: não sabes dançar! Não faz mal. Inventamos do nada o nosso jeito! Jeitoso encaixe das mãos é tudo perfeito. Dançaremos no silêncio, até os gemidos dos corpos acabarem com ele, e cairmos exaustos.

                                                                                    Leonam Sandes