sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Par de Brincos

           
                 Ela esqueceu o par de brincos no balcão do barzinho, e aí fiquei imaginando: O que mais ela tinha esquecido? Não naquele bar, mas nos outros que certamente havia freqüentado, naquele dia, naquela semana, naquele ano. A moça era bonita, já havia a visto algumas vezes, mas nunca falado com ela! Não era uma alcoólatra, tinha seus dias de ausência também, mas como toda mulher bonita e bem informada, gostava de sair! Havia quem a cortejava, quem a cantava, e eu, um mero espectador daquela novela. Um mero espectador! Certamente era, e certamente ela ia voltar. Como todo espectador de uma boa novela, eu queria fazer parte dela, e foi aí que o diretor chamado: “Destino”, me colocou naquela história louca, e de um mero espectador, passei a ser o coadjuvante mais dedicado. Quis o diretor, que o par de brincos viesse parar em minhas mãos, mas como poderia entregá-la se mal sabia seu nome? Fui à caça de informações. Na minha caça, pude conhecer a pessoa que certamente me ajudaria: era o garçom do barzinho. De cara já o mostrei o par de brincos, e sem demora ele me disse que sua dona chamava-se Abella. – Abella? – É! Abella. Disse o garçom. Um nome estranho, e um objeto perfumado... É! Pus-me a cheirá-los, não resistir. Agora, minha vontade de conhecê-la era maior. O garçom quis guardá-los para entregá-la ele mesmo! Eu disse não! Se estava naquela dança, eu queria dançar. Esperei ali, uma, duas, três horas, e a moça voltou! Ela veio diretamente ao balcão do bar, eu percebi que era ela, assim que entrou. Antes que Abella falasse alguma coisa, eu me adiantei... Apresentei-me, e disse a ela que havia achado seu par de brincos. Tinha voltado justamente por isso, me disse que tinha o esquecido na mesa do bar. Pude ver como ficou contente. Abella foi de uma educação encantadora, eu devolvi seu par de brincos, ela me agradeceu. Brinquei... Disse: - Até o próximo par de brincos esquecidos. Ela sorriu, e foi embora! Fim do primeiro capítulo.


                                                                                Leonam Sandes

domingo, 25 de dezembro de 2011

Haicai - Traquinagem

Pedra no espelho
quebra a cara assustada
quem cai de joelho


                         Leonam Sandes

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Passagem dos ventos


O vento é um danado! Por onde passa, insiste, varre, e causa um reboliço. Leva as folhas secas, (já mortas) para seus indefinidos cemitérios... Ele passa as pressas, faz um cortejo às árvores e beijam os rostos conhecidos... Os desconhecidos, ele só acaricia. Torna sua passagem incerta, passa e às vezes nem percebemos, mas nunca deixa que suas passagens sejam sem vida.

                                 Leonam Sandes

Guerra de tinta

Todos já se foram...
Pintamos, bordamos, gritamos.

Todos já se foram...
Sujos, cansados, surdos.

Mas todos já se foram...
Felizes!

                     Leonam Sandes

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Haicai - Incêndio

cinzenta tarde
vento lambe folhas secas
que no fogo arde

                       Leonam Sandes

domingo, 18 de dezembro de 2011

E só.

Nossas lembranças guardadas em
uma caixa de sapato, lá no fundo do armário (Empoeirado), pra
sempre... Malas prontas,

a condução chegou...

Não a minha! A tua.
E só.

Só se... Chega!
Estás longe daqui.
E eu estou longe dos teus pensamentos,
pensando em ti.

                                                Leonam Sandes

sábado, 17 de dezembro de 2011

Conselho




















Me disseram: "Não deixe o palco
lhe dominar, domine o palco!" Foi o que fiz, e a
menina da primeira fila, sorriu!

                                    Leonam Sandes

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Um ambiente humano, uns passos, e uma Imaginação...

         

                Acordei, arrumei tudo, lavei o rosto, tomei um café e saí sem muita pressa, apenas uns compromissos a fazer. Meus passos me levam somente aonde preciso ir, já a minha imaginação, essa parece que toma um copo de cachaça todo dia, e cria vontade própria. Á pouco meus passos me levaram a um ambiente totalmente humano, mas calma aí, não vá pensar que está lendo um texto de um extraterrestre metido a humano não, é que a necessidade de ir até meus compromissos guiaram meus passos até esse lugar. Pessoas pra lá e pra cá, figuras interessantíssimas; você deve estar se perguntando: Mas o que tornava essas pessoas tão interessantes? Talvez, quem sabe, o fato de não as conhecê-las já seria interessante, não? Imaginem, eu ou você andando no meio de pessoas sem as conhecê-las; moramos em um mundo tão pequeno e comunicativo que se pararmos pra pensar é um tantinho estranho. Será que nos propomos somente a conhecer quem nos convém conhecer? São coisas a se pensar. Minha imaginação agora está sóbria, e o ambiente totalmente humano que falo é uma rua próxima a uma feira, e são interessante como os dias atuais torna o mundo das pessoas um tanto caótico. Minha ideias fervia literalmente, o sol estava quente, a cerveja esquecida no balcão do bar na esquina estava quente, e a ideia que tive naquele momento ainda está na minha imaginação. Como uma ressaca que insiste em não largá-la. Então meus passos foram ficando lentos e parei... Resolvi ouvir a danada e comecei a olhar para as pessoas que passavam apressadas, e pensei qual seria a história delas? O que elas viviam? O que escondiam atrás de seus olhares cansados? Seria uma aventura e tanto desvendar esses meus pensamentos, e seria uma aventura maior ainda, conhecer as histórias dessas pessoas. Em um canto, um mendigo sentado com as suas roupas sujas e velhas, na sua mão uma vasilha... Pedia moedas, mas na sua mente quem sabe mendigava era uma sorte melhor. Seria mesmo uma grande aventura, temos muito tempo, e contamos com a ajuda do acaso que se encarrega de colocar em nosso caminho histórias que muitas vezes estão tão visíveis, mas que estamos tão ocupados e não conseguimos enxergar. Há tantos pensamentos soltos por aí, há tantas imaginações querendo desprender dos nossos passos, e ir além do que sonhamos. Eu tive um dia cheio, eu fiz muitas coisas, e você, vai acordar arrumar tudo, lavar o rosto, tomar um café, sair, e fazer o que? Sua imaginação pode te surpreender, a minha está do mesmo jeito.
   
                                                                      Leonam Sandes


Estranho

Um peixe fora d'água! Foi assim
que me senti ao ficar fora
dela.

                             Leonam Sandes

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Tudo brota do beijo

É, simplesmente, incidência de gestos, de olhares, de afinidades, intimidades... Tudo isso já antecipa, é bem verdade, toda a acuidade do encontro de lábios, de línguas e saliva. Esse percurso que apraz é descrito pelo idioma do amor, da imensurável sentimentalidade. O verdadeiro beijo desperta muito mais do que um beijo qualquer. São línguas que se comunicam no silêncio no modo empírico daqueles laços e nós dados. Do amor também nasce essa estreiteza no peito chamada saudade, que insiste em querer regressar aos momentos de profundos delírios e intensos ais quiméricos. O beijo proporciona o encontro de bocas desconhecidas que se sentem inquietas diante do incompleto, penalidade esta aplicada por Zeus aos Andróginos que persistiam com a sua auto-suficiência. O beijo nada mais é do que o despertador da erupção do vulcão chamado amor, que teima em alastrar as suas larvas por todos os caminhos e descaminhos de cada um de nós.

                                                                                                   

                        Heracton Sandes Amparo

Desejo de um viajante

Alimento um desejo: o de viajar, sem rumo!
Dar as caras aos ventos desconhecidos, fazer da minha casa as pousadas do mundo,
da vida.

Pousar por aí, em uma estrada
qualquer.

                                       Leonam Sandes