terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Processo de Mudança

              
       Amanheceu nossa terça-feira, enquanto penso em o que escrever a vida lá fora passa, a dor passa a Uva-passa, a professora de Português ao ver minhas notas deve estar pensando: ele passa. Bom, poderia direcionar meu pequeno texto, a mais um aniversário de uma velha senhora, bota velha nisso, 114 anos neste 25 de outubro de 2011, a nossa terça-feira como já falei. Mas a esta senhora apenas desejo, desejo que seus filhos cuidem bem da sua saúde, e que não a abandone, jogando-a em um asílo, afinal, ela não merece, sempre foi tão calorosa, eu por exemplo, já suei litros ao passar tardes com essa simpática senhora. Mas não reclamo agredeço por ter me acolhido senhora sol. Mas onde estou? Ah! Estou no meu espaço de quatro paredes, e não... Não estou suando litros, estaria suando suór se a velhinha não estivesse tão fria, e também, ela está tão ocupada com tantas homenagems. Continuando, meu espaço de quatro paredes está aconchegante, de tão perfeccionista que sou, acabei me agradando com o que fiz, e olha que sou chato quanto a isso, acho que a  necessidade de mudar está me fazendo bem, você deve estar entendendo o que estou pensando, afinal, você desde que começou a ler já mudou de linha, de parágrafo e até o final vai mudar várias vezes nem que seja de uma palavra pra outra. Voltando ao meu processo de mudança, estou fazendo uma lavagem, é uma lavagem, na mente, no coração... Ai, ai, ai, na minha lavagem já tomei alguns escorregões, totalmente compreensíveis, certo caro leitor? Afinal estou sujeito a erros, assim como você e como qualquer outra pessoa. Eu fico pensando: Um automóvel passa na minha rua, já olhei pros quatro cantos do meu espaço de quatro paredes, sons, luzes, uma fantasia real. Sei o que deve estar acontecendo comigo, estou sobe o efeito da arte cênica, você deve estar se perguntando: o que tem a ver uma coisa com a outra? Explico: Desde que comecei a fazer teatro, tudo que vejo ouço e sinto é uma ideia cênica, mas não confundo vida real com o maravihoso mundo do teatro, é que as vezes fico com aquele pensamento na cabeça: “ A arte imita a vida, e a vida imita a arte”. O que espero disso tudo, é que possa ser um grande ator, se não for, quero me divertir do mesmo jeito, estou com muitas ideias pro meu processo de mudança, e se você precisar mudar, mude! Faça uma lavagem, mas não mude tudo ,salve as coisas boas que você viveu, e está vivendo. Faça como eu, e se precisar de um abraço caloroso, a velhinha que promete ainda viver muito, está de braços abertos pra te acolher. Falando nisso, ela não esquece de mim, estou começando a transpirar, acho que ela está me abraçando... Bom, a terça ainda não acabou, e a velhinha ainda ando muito calorosa, então acho melhor me preparar, vou pegar uma tolha, ums litros e assim termino minha crônica.

                                         Leonam Sandes

Meu eterno ser

Em meu eterno ser,
mergulharei profundo, e sonharei
com a alma ao vento
do amanhecer.


                  Leonam Sandes

domingo, 29 de janeiro de 2012

A linha da vida


Templo de sonhos
perfeitos, e imperfeitos.
Doce enigma que temos que
decifrar.

A linha da vida
Caminho de sentimentos,
Fixação do tempo, que um dia
passará.

03/03/2008 – 15h10min


                        Leonam Sandes

sábado, 21 de janeiro de 2012

Presença


A brecha da porta 
anuncia tua presença antes mesmo 
de tocá-la. 
Teu perfume exala,
antes mesmo de balançar os cabelos.
Teu desejo se sente, 
antes mesmo de bebê-lo 
por inteiro.

Leonam Sandes

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Alimento dos olhos


Saboreio as nuvens com
o olhar,
assim como um algodão-doce
na boca.

             Leonam Sandes

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Falta



Aos poucos, como uma leve brisa que abraça o corpo por inteiro e suga as forças deixando o vazio, assim é a falta. Aos bocados e intensa, como a pior tempestade das horas, do dia, dos anos, assim é a falta. Em poucas doses faz bem, diria até que necessária é! Mas de dose em dose tudo fica cheio, transborda, incomoda. Quadro sem foto na parede: retrato intrigante, assim ela é.

                                                                                    Leonam Sandes

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Papel de Embrulho

                
                 Coloque-se em meu lugar! Não sou o autor fazendo esse pedido, sou o próprio papel de embrulho que achou um espaço nas palavras de um amigo, para lhe pedir: coloque-se em meu lugar! Não quero torturar sua mente, ou fazer desse pedido um momento de terror, sei que falando assim pareço gente, mas não sou, nem mesmo carente estou. Se ousar sair dessa inércia, levante pelo menos um colchão, ultimamente lá é minha casa e também dos meus irmãos. Muitos da minha família já foram pro lixo ser reciclado há muito tempo, mas não ligo se a saudade apertar demais sei que um dia será a minha vez. Novamente peço: coloque-se em meu lugar! Sei que não será difícil, afinal, muitos são como eu: meras embalagens bonitinhas. O que quero com esse pedido, é que vejam como minha vida é triste, não quero que tenham pena de mim, tenham pena de vocês, que muitas vezes se colocam como um papel de embrulho, sem se importar com o conteúdo que é o mais importante. Eu posso ser azul bonitinho, vermelho com laçinho, ganhar até elogios, mas nunca serei tão importante quanto o presente que escondo. Ainda peço que se coloque em meu lugar, porque quero que entendam que não vale ser apenas uma embalagem bonitinha, se não houver alguma coisa especial por dentro. Ninguém gostaria de me ganhar como presente seria uma decepção e tanto, ver que ganhou um papel de embrulho sem nada. Coloque-se em meu lugar! Mas quero que saiba que papel de embrulho sem conteúdo, acaba embaixo de um colchão ou no lixo.


                                                                                 Leonam Sandes

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Bateu em minha porta, uma moça...

                   
                    Hoje bateu em minha porta uma daquelas mulheres que vendem planos de operadoras, minha primeira impressão foi normal, ou pelo menos não foi diferente do que eu sempre havia pensado. Sempre achei que parar pra ouvir aquelas conversas de todos os benefícios e vantagens que uma operadora oferecia era pura perda de tempo, mesmo que algumas vezes fosse realmente vantajoso. Sei que toda aquela conversa era o trabalho das moças, completamente compreensível e aceitável, mas quando você está totalmente ocupado e ainda vem uma daquelas corajosas e pacientes donzelas tentando convencê-lo, você fica impaciente desejando que tudo aquilo acabasse, e você enfim, voltasse a fazer o que estava fazendo. Eu poderia ter ficado impaciente, e desejado que aquela conversa acabasse, ou ter dito um “não” logo de uma vez, (com educação, claro!), mas antes que eu esboçasse qualquer reação para recuar sua proposta, a moça que por sinal era muito linda, me abriu um belo sorriso e ela desarmou minhas armas; ouvi cada palavra pronunciada por ela, um tanto atenciosamente. A moça tinha lá seus vinte e cinco anos, claro, ela não me disse sua idade, é apenas um chute de quem admirava aquele sorriso como se admirasse um diamante sobre as mãos, era realmente encantador. Passou pela minha cabeça que ela estava no emprego errado, deveria vender sorrisos, fazer planos para alegra os olhos alheios, ou pelo menos uma coisa mais interessante que explorasse aquele presente de Deus. Há quem diga que é puro marketing, o que não deixa de ser totalmente normal, mas quem vai pensar em marketing sendo presenteado por um belo sorriso como aquele? Eu não pensei, deixei o lado admirador se sobressair mais que o lado crítico e não foi nenhum sacrifício. Vão pensar que fiquei apaixonado, que foi amor à primeira vista, mas não foi nada disso caro leitor, o que aconteceu mesmo, foi que aquele momento de simpatia me deixou relaxado, e deu-me muito mais coragem e vontade para continuar os meus afazeres, fora o prazer que foi de ver o belo sorriso da moça. Mesmo com toda aquela beleza que ela me proporcionava, eu recusei a proposta que a moça me fizera! Por fora seu sorriso não se desmanchou, por dentro, não sei... Espere qualquer coisa, ao baterem em sua porta, e claro! Seja gentil.

                                                                                Leonam Sandes

Olhares Perdidos

Olhares perdidos, não ficam
perdidos por muito tempo. Acham-se,
encaixam-se, encantam-se...


                                   Leonam Sandes

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Ponto Final


             Tão curto, tão seco, e tão decisivo! Onde será colocado, não importa. Não vejo, não vê, não vêem! O ponto final é grosseiro, e tão necessário que assusta. O ponto final, quem diria, é o começo de tudo! Só se aprende colocando-o. Equivocamo-nos ao colocá-lo? Claro! Acertamos ao colocá-lo? Claro! É um jogo de acertos e erros, que só o tempo irá dizer se foi certo ou errado usá-lo. Se for necessário, coloque-o! Se não for, não o faça! Releia toda a história, e então decida.

                                                                                              Leonam Sandes

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Dançar no silêncio

               Vou te convidar pra dançar no silêncio. Não precisamos tirar o pé do chão, ou fazer tudo em ritmo frenético! A lentidão dos nossos movimentos é o que basta. Sem pressa, sem ritmo ou regra definido, e claro! Sem multidão... Dois corpos é o suficiente. Teus pés sobre o meu, evidência uma coisa: não sabes dançar! Não faz mal. Inventamos do nada o nosso jeito! Jeitoso encaixe das mãos é tudo perfeito. Dançaremos no silêncio, até os gemidos dos corpos acabarem com ele, e cairmos exaustos.

                                                                                    Leonam Sandes