quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Poema



Noite

Houve um corte no dia,
e no céu a noite inicia a costura.

Alguém se sente coberto?
O cobertor é tecido, sonhado.

E a doce escuridão, essa pequena cria
lambida, cresce!


Leonam Carvalho Sandes

sábado, 29 de setembro de 2012

Poema


Devo ter

Devo ter algo
Das nuvens frias e escuras agora.
Devo ter a luz
e o calor de outros dias,
de tudo que me parece quente,
intenso em cada face.

Segue o desabrochar do dia que demora,
e lá fora tudo é mais quieto aqui pra dentro,
aqui pra nós, aqui pra mim.
Não tem calor agora!
Mas devo ter algo.
Assim, quando o vento passar,
quem sabe ele leve algo,

algo que devo ter 
agora.

Leonam Sandes



domingo, 5 de agosto de 2012

Poema




Luz e Chuva

Cai chuva, e logo ali esfria
peito,
colo,
braços,
e coração só.

Luz!
por minutos,
modela o que foi
pó.


Leonam Sandes

domingo, 8 de julho de 2012

Frases

"É sabido que quanto mais
pessoal (repito, não digo
individual) é a sensibilidade do
artista, a sua obra torna-se mais
universal e coletiva."

César Vallejo

Poema





Balanço

Cresci neste vai e vem.
Fui no alto, no baixo,
e hoje o vento bate nos meus cabelos, 
e volto: ao mais próximo do céu,
e o mais  perto do chão...

Essa doce aventura
que me acompanha, é um afago gostoso
à minhas lembranças.


LEONAM SANDES

sexta-feira, 29 de junho de 2012


Silêncio pra ouvir olhar

Silêncio pra ouvir olhar... Aqueles de canto,
ou aqueles surpresos depois de algo
dito.

 Aqueles... Os primeiros,
ou os últimos.

Silêncio pra ouvir olhar...
Ouvir o que boca não diz,
pedir 
o que ela não pede.

Leonam Sandes

Frase



"Procure entrar em si mesmo. Investigue o
 motivo que o manda escrever; examine se
 estende suas raízes pelos recantos mais
 profundos de sua alma; confesse a si mesmo:
 morreria, se lhe fosse vetado escrever? 
Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais
 tranqüila de sua noite: "Sou mesmo forçado a 
escrever? "Escave dentro de si uma resposta 
profunda. Se for afirmativa, se puder contestar
 àquela pergunta severa por um forte e simples
 "sou", então construa a sua vida de acordo com
 esta necessidade. Sua vida, até em sua hora mais 
indiferente e anódina, deverá tornar-se o sinal e o
 testemunho de tal pressão. Aproxime-se então da
 natureza. Depois procure, como se fosse o
 primeiro homem, a dizer o que vê, vive, ama e
 perde. (...) "


Rainer Maria Rilke